Pressão estética e gordofobia: entenda a diferença

Atualizado: Jul 12


Em um processo de autoaceitação, é preciso compreender alguns termos e conceitos. Por exemplo, você sabe o que é padrão de beleza? Trata-se de regras e aspectos que estabelecem e definem o “normal” para que o sujeito se identifique e imponha aos outros. O grande problema dessa realidade é o fato de que esses corpos ideais são apenas representações sociais que retratam uma visão compartilhada e imposta. Essa construção está em constante mudança e é moldada de acordo com cada época, local e cultura. A partir do padrão estabelecido, há uma grande disseminação por meio da mídia e da própria sociedade exigindo esse padrão. Assim, são formados comportamentos e aspectos físicos ditos como positivos e negativos. Na atualidade, ser gorda vai totalmente contra o considerado ideal. Toda a ditadura e preocupação com a aparência do outro ocorre porque o corpo é o veículo de comunicação do homem e o padrão de beleza diz respeito ao que, diante da sociedade, é mais comunicativo. Aqueles que fogem do modelo sofrem represálias por estarem fugindo de um padrão comunicativo estabelecido pelo grupo social daquele momento.


O preconceito surge, então, com aqueles que não se encaixam nesse padrão de beleza. Ocorrem dois modos de repressão que variam de acordo com o tamanho da pessoa: a pressão estética e a gordofobia. A primeira é referente à constante exposição de corpos “perfeitos” na mídia, pois ela condiciona o tipo físico ao sucesso e à beleza. Essa pressão constante faz com que aqueles fora dos padrões se sintam mal consigo mesmos e queiram mudar para serem incluídos. Eles consomem, portanto, produtos e serviços fornecidos pela indústria, criando um ciclo que se baseia na infelicidade e inconformidade de ser como é. Isso é pressão estética. Haverá muitas críticas ao corpo e o indivíduo será levado a crer que seu biotipo, no caso, não é o ideal. Trata-se de um ciclo cruel e que pode acarretar em questões psicológicas.


Já a gordofobia, além da discriminação e aversão ao corpo gordo, priva a pessoa também de manter um convívio social. É a catraca que não comporta a silhueta, a cadeira que não suporta, as roupas que não servem, a poltrona que não cabe. Todos esses empecilhos estão presentes diariamente. O mundo não está pronto para o seu tamanho e não se dispõe a mudar. Ele insiste em afirmar que não foi feito para você, fora do padrão. Percebe-se então que a gordofobia não é um “estágio mais grave” da pressão estética, pois você pode não ligar se criticam sua aparência ou se não se encaixa no padrão, mas você não consegue deixar para lá uma roupa que não te serve ou uma cadeira que não te cabe.


Com todas essas represálias que um corpo fora do padrão pode receber na sociedade atual, o body positive se mostra necessário. Em tradução literal, significa imagem corporal positiva. Ou seja, um olhar positivo e sincero com seu próprio corpo, um olhar com carinho para a própria imagem. É não deixar esses padrões interferirem no modo como você se enxerga e se trata. É simplesmente estar pronta para ver a beleza existente em si mesma.


ATENÇÃO: O uso das expressões a seguir deve ser evitado a todo custo

  • “Gorda” como xingamento

O machismo de cada dia faz com que a mulher seja valorizada de acordo com sua beleza. Então aquelas fora dos padrões são taxadas de preguiçosas e indesejáveis. Além disso, há o fator cultural que coloca a palavra “gorda” como ofensa. Porém, não, gorda não é xingamento, é apenas uma característica como qualquer outra: alta, baixa, magra...


  • Quem está comendo tá gostando/não está reclamando

Você coloca no outro a responsabilidade de estar se sentindo bem consigo mesma. Além disso, você não pode depender de alguém para se gostar.


  • Mimimi / vitimismo / coitadismo

Termo usado para falar que alguém está reclamando de algo que não existe, exagerando muito. Geralmente, quem utiliza esses termos não vive a opressão daquela pessoa. Por isso, sugerimos um exercício: fique em silêncio e se coloque no lugar do outro, recorra à empatia. Não utilize a experiência que você tem do mundo para definir todas as experiências existentes.


  • Gordice

Refere-se ao ato de comer muito ou comer algo não tão saudável, como doces, massas, fast foods e afins. Entretanto, comer não é uma exclusividade da pessoa gorda. Inclusive, existem pessoas magras que comem tanto ou mais que qualquer pessoa, não dá para generalizar.


  • Tô enorme de gorda, uma baleia

Geralmente utilizado por pessoas magras que não vestem nem perto do 48. Tudo bem você não gostar de estar gorda, tudo bem você não querer engordar nenhum quilo, mas não condene aquelas que estão. Assim como você tem preferência pela sua aparência, as garotas gordas também têm.


  • Olho gordo

Novamente, comer não é exclusividade de uma pessoa gorda, assim como ela também não vai desejar tudo o que você tem ou come.


  • Gordelícia

Muitas mulheres gordas utilizam o termo a fim de ressaltar sua sensualidade mesmo fora do padrão. A questão é que o termo sexualiza a mulher gorda e a restringe a objetificação. Ser gostosa está ligado à magreza, todas nós somos e podemos ser. Por isso, para que o termo?


  • Gordinha, fofinha, cheinha, fortinha

Não, somos gordas mesmo. Não precisa ter medo de se referir a nós como a mulher gorda, pois nós somos mesmo. Novamente, é apenas uma característica. Utilizar diminutivos e eufemismos não eleva nossa autoestima e nem “melhora” nossa forma física.


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