Por que a moda plus size importa?

Atualizado: Jul 12

Desde que me entendo por gente, sempre fui gorda. Junto com toda a pressão da família e da sociedade para a emagrecer, vinha o mundo não querendo que eu existisse. Saias e shorts não me cabiam, as blusas mais pareciam um saco de batata e não havia bota que comportasse meu tornozelo. Era frustrante e me despedaçava quando minha mãe me levava em alguma loja para comprar roupas novas. Absolutamente nada que combinava com minha personalidade ou estilo me serviam (até as que não combinavam comigo). Eu me sentia invisível e o fato de não conseguir me expressar por meio do meu vestuário piorava tudo. A vontade de sumir ou nunca mais sair do quarto aconteceu quando eu tinha 15 anos. Em busca de algum short que coubesse minhas coxas, bunda e quadril largo, minha mãe me levou em uma loja especializada. Não, não para gordas, mas para grávidas. A única solução que eu encontrei naquela época, medindo 1,53 e pesando 80 kg, foi um short jeans com elástico na cintura/barriga feito para gestantes. Foi humilhante. Eu senti, tão dolorosamente, que eu não tinha como existir.


De pouquinho em pouquinho fui conseguindo achar uma peça ou outra que combinasse comigo. Fui aprendendo por onde procurar tamanhos grandes, a combinar algumas peças para contemplar meu estilo, mandando fazer vestidos ou maiôs que respeitassem minhas medidas e fui conseguindo montar um guarda-roupa que eu minimamente gostasse.


Aconteceu em junho de 2016. Após um tempo acompanhando pelas redes sociais, finalmente fui ao meu primeiro evento de moda plus size, o Pop Plus, que ocorre em São Paulo. Lá eu me encontrei, me senti confortável, me identifiquei. Vi mulheres gordas, lindas e confiantes. Parece até meio fútil colocar tanto poder sobre peças de roupas, mas elas foram responsáveis pela minha invisibilidade e minha certeza de que talvez eu não devesse existir. Naquele ano eu percebi quanta bobagem havia se passado pela minha cabeça e quantas mulheres estavam dispostas a mudar a indústria da moda no nosso país. Roupa íntima, moda praia, meia-calça, cintos, casacos… Tudo pensando na existência da mulher gorda.


Registro da minha segunda ida ao Pop Plus (Foto: Robson Leandro )

Ao mesmo tempo em que esse evento me proporcionou encontrar peças que comportassem meu corpo sem apertá-lo, sem esconder minhas curvas e sem precisar de alterações, ele me fez redescobrir o conceito de sororidade. A empatia entre mulheres, o esforço em produzir peças para todos os tamanhos, a facilidade em exaltar a beleza da outra. Foi um local de acolhimento e empoderamento. Um evento feito por mulheres gordas para mulheres gordas.


Além da autoestima renovada, voltei para casa com peças que antes nunca havia comprado ou sequer encontrado no meu tamanho: saia jeans, biquíni de cintura alta, meia calça, blusa de tule, saia curta rodada. Se eu pudesse dar um conselho para qualquer mulher gorda que esteja enfrentando dificuldades com autoimagem, eu digo: vá a um evento de moda especializada, nem que seja só para ver aquelas mulheres maravilhosas exaltando umas às outras. Um banho de beleza e autoestima.


É por isso que representatividade importa, é por isso que a moda plus size importa. Um evento como esses faz com que você se sinta visível, importante e respeitada. Faz com que a mulher gorda finalmente sinta aquilo que a mulher magra sente ao entrar em qualquer loja de roupas: que ela pode usar o que quiser.


Eventos de moda plus size no Brasil:

Pop Plus (SP)

BPSPOA (RS)

HashTag (RJ)

Rio Plus (RJ)

BH Estilo Plus (MG)

JF Plus (MG)

Fat Fair Curitiba (PR)


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