Manifesto para as gordas

Atualizado: 22 de Jul de 2019

Por Giovana Baria.

Amar-se gorda é um ato de resistência. É amar cada parte do nosso corpo, seja ele

como for: cabelos cacheados demais, estrias e celulites em excesso, quadris avantajados, seios fartos e todas as pressões estéticas imagináveis. É aprender a gostar de tudo aquilo que crescemos e seguimos escutando ser errado, é entender que a moda é sim para

todos, mesmo que a indústria ainda seja excludente. Olhos mais atentos saberão enxergar que, ao sair com a barriga, pernas e braços de fora, não queremos “chamar a atenção”, apenas queremos ocupar espaços como qualquer outra pessoa, sem que sejamos julgados

pelos dígitos que a balança aponta ou por todos os corpos esculturais que estampam as capas de revistas. Amar-se gorda é um exercício diário de se olhar no espelho e aprender

a gostar das curvas, das marcas e de toda carcaça. É aprender a gostar de si apesar de ser

convencida diariamente a se odiar.


Odiar-se gorda é mais fácil. Crescemos achando que ser gorda é solidão. É aceitar migalhas e incompletudes, porque nos doutrinaram a acreditar que devemos ter gratidão por alguém nos aceitar tão imensa, tão desproporcional, tão fora do padrão das dançarinas dos programas dominicais. Afinal, gorda assim, só pode ser preguiçosa. E quem vai querer uma mulher preguiçosa? Como se o mundo se resumisse a duplas e nós, gordas, ocupássemos sozinhas o lugar de dois e, assim, estivéssemos condenadas à solidão eterna. Afinal de contas, você já viu em algum conto de fadas o príncipe salvar a gorda? Você já viu algum desenho de princesa onde a gorda não fosse a bruxa ou, no máximo, a cozinheira simpática? E então crescemos sem representatividade.


A grande virada é no exato momento em que percebemos que não precisamos de atrizes, modelos e artistas para nos inspirar, para nos fazer entender todos os espaços que devemos (e queremos!) ocupar. Pessoas reais passaram a gritar aos quatro ventos que o lugar do corpo gordo é exatamente onde ele quiser. E tudo bem usar biquíni, minissaia, listras horizontais e tudo aquilo que sempre nos desincentivaram não só a vestir, mas a

SER. Foi preciso aprender que a nossa inspiração está naquela amiga que usa regata, por mais roliços que sejam seus braços e também naquela menina do instagram que posta fotos desnuda, com todas as curvas e dobras do seu corpo e ainda sim é linda, sem esconder nada com metros e metros de tecido.


Amar-se gorda é treino. É olhar todos os dias no espelho e, de vez em quando , não

escutar nenhum fantasma dizendo que aquilo é errado, é aprender a ver beleza em todos

os formatos, em todas as marcas, sejam do tempo ou de nascença. É conservar-se,

defender-se, suportar e não ceder, é se amar apesar de. Amar-se gorda é um ato de

resistência. Resistamos!


-

#amorpróprio #autoestima #aceitação #gorda #bodypositive

12 visualizações

QUER RECEBER NOSSA NEWSLETTER?

  • Black Instagram Icon
  • Black Facebook Icon

© 2019 por Revista Hilda.