O manequim da Nike e a gordofobia de Tanya Gold

Atualizado: 22 de Jul de 2019


Manequim plus size na loja da Nike em Londres (Foto: Divulgação)

Na última semana, vivenciamos um momento inédito na moda esportiva: a Nike começou a utilizar manequins plus size em uma de suas lojas em Londres. A novidade vem em consequência do lançamento de tamanhos maiores em 2017 e reforça aquilo que mulheres gordas têm clamado tanto: saúde não é questão de peso. Enquanto ficamos felizes em finalmente ter o mínimo de representatividade em uma marca grande e em sermos reconhecidas como um corpo que também se exercita, o The Thelegraph vem na contramão e, além de condenar a atitude da Nike, diminui o movimento body positive a algo existente apenas porque algumas mulheres se sentem tristes.


Com o título "Obese mannequins are selling women a dangerous lie" (em tradução livre: Manequins obesos estão vendendo uma mentira perigosa para mulheres), a matéria dissemina gordofobia parágrafo atrás de parágrafo. A autora do texto (sim, uma mulher), Tanya Gold, se refere ao manequim da Nike como "immense, gargantuan, vast [...] heaves with fat" e afirma que mulheres desse tamanho não são saudáveis e nem conseguem fazer qualquer tipo de exercício. O raciocínio dela é que, mulheres gordas não podem correr e se tentarem podem morrer. Entre tanta falas gordofóbicas, Tanya discorre sobre a onda do amor próprio entre as gordas como um falso pretexto para ser descuidada ou desleixada.


A completa falta de sororidade (ou qualquer tipo de empatia) da "jornalista" do The Thelegraph é justamente a razão para que os movimentos body postive e o ativismo gordo existam. Ela desqualifica e desrespeita o corpo gordo, se recusa a enxergar que todo corpo tem o direito de existir e, assim, se exercitar. Encontrar uma roupa de esporte no seu tamanho não é uma "mentira perigosa" ou uma "glorificação da obesidade", mas sim o reconhecimento da diversidade de corpos e a acessibilidade dos mesmos.


É preciso entender e reforçar três coisas: 1) Saúde não é questão de peso, pessoas magras ou gordas estão sujeitas a diversos tipos de doenças igualmente. Um biotipo pode sim ter pré-disposições à condições, mas ele não determina hábitos ou doenças. 2) Visibilidade e representatividade importam. Essas questões permitem que as pessoas se enxerguem e sejam reconhecidas no mundo e, assim, possam se sentir bem consigo mesmas. 3) Todo corpo tem o direito de existir, de se cobrir da forma que quiser ou precisar e de fazer e ser o que quiser. Não há explicações para esse último ponto, é simplesmente isso.


Nós repudiamos todas as palavras escritas por ela na matéria e recomendamos fortemente que Tanya faça uma reflexão sobre seus problemas de autoimagem e tente praticar um pouco de empatia. Durante o texto, fica claro o problema dela com o corpo gordo. Há a famosa falsa preocupação com a saúde e o bem-estar de mulheres que vestem tamanhos grandes e, ao mesmo tempo, ela condena o direito de gordas em se vestir adequadamente para se exercitar. São palavras como as dela que reforçam como nossa luta ainda está somente no começo e como não iremos permitir que a gordofobia vença.


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