Anticondolências à gordofobia de Karl Lagerfeld

Atualizado: 22 de Jul de 2019


Foto: Caroline Seidel AFP

Karl Lagerfeld, um dos designers de moda mais famosos e conceituados, morreu nessa terça-feira (19) aos 85 anos. Como legado, ele deixa para o mundo da moda a inovação como diretor criativo da Chanel, sua marca Karl Lagerfeld Paris e um histórico de repulsa ao corpo gordo. É inegável seus talentos criativos para roupas e desfiles, assim como todas as falas e atitudes gordofóbicas. A grande questão é: por que fashionistas, modelos e produtoras de conteúdo voltado para o segmento plus size estão exaltando seus feitos e ignorando a ditadura contra nossa existência?


Durante sua carreira, Lagerfeld sempre foi incisivo e determinado quanto à sua opinião sobre mulheres gordas. Para ele, saúde e status são coisas inalcançável para nós. Em entrevista para a revista alemã Focus em 2009, ele afirmou que ninguém queria ver uma mulher com curvas posando para campanhas ou desfilando na passarela. Quatro anos depois, ao aparecer em um programa de TV francês, o designer culpou as pessoas gordas por problemas sociais. “O buraco na segurança social é também devido à todas as doenças que são pegas por pessoas muito gordas”, afirmou.


A surpresa chegou em 2018 quando a Karl Lagerfeld Paris anunciou uma coleção plus size em parceria com o servido de styling online Stitch Fix. Por um lado, a comemoração de ter nosso corpo incluído; por outro, a revolta com o aproveitamento do nicho por aquele que nos abomina. E, assim como naquela época esse fator foi pouco discutido, hoje também mal se fala. O que não faltam são matérias e pesares com a morte do designer, mas sem ao menos um parágrafo sobre todas as portas que ele nos fechou. Na moda, o corpo gordo é invisível ou utilizado apenas para lucro. Há quem declare moda para todos, mas com o tamanho máximo de 54. Hoje em dia não cabe mais querer que um corpo se ajuste em uma roupa. É preciso estudo, reconhecimento, inclusão, visibilidade, representatividade. Tantos passos fáceis e, ainda assim, distantes de acontecer.


Karl Lagerfeld foi um grande diretor criativo e inovou até não ser mais adequado. Insistiu em não reconhecer a beleza na mulher gorda, entre tantas outras polêmicas – como o casaco de pele de animal. Seus feitos e influência na moda devem sim ser contados, porém por completo. A indústria da moda é cruel com as mulheres, principalmente com aquelas que não se encaixam nos padrões. Nos tempos atuais, não precisamos de mais ditadura e exaltação da magreza, precisamos ser realistas e entender que os corpos são diversos e a beleza também. A moda é para todos, mas ele não quis nos incluir.


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